sábado, 21 de maio de 2011

Você fura fila?

Fila de banco moderna é outra coisa. Não ficamos mais em pé, um atrás do outro, andando a passinhos de tartaruga enquanto não chega nossa vez; hoje, pega-se uma senha e senta-se. Simples, prático e bem menos desconfortável.

O mal da fila muderna são seus usuários, que não entendem que se deve pegar uma e apenas uma senha. Aí o cliente que apertou duas vezes o botão espera o banco encher pra fazer a suposta caridade de dar um dos números pra outra pessoa. Que, claro, aceita. Quem vai esperar chegar o seu 217 se uma boa alma ofereceu o 183? Mas isso, minha gente, é furar fila. Você ser atendido antes de outra pessoa que chegou primeiro e está aguardando há mais tempo, é furar fila. Não interessa se a pessoa abdicou do lugar em seu favor. O justo, neste caso, é ignorar o número e TODOS serão atendidos mais rápido.

Esta semana fui ao banco fazer não-sei-o-quê. Peguei o nº 128 e sentei. Estava no noventa e poucos, o banco nem estava muito cheio. Vira pra mim uma senhora e "filha, toma esse aqui", e me deu o 111. Nem gastei saliva, guardei no bolso, agradeci e continuei esperando o 128. Aí ela ofereceu outro, o 115, pra jovem senhora do 129. A bondosa distribuidora de senhas em questão também pegou senha da fila preferencial, mesmo não estando grávida, mesmo tendo claramente menos de 60 anos, mesmo não tendo nenhuma deficiência aparente. Vai ver que ela pensa que deficiência de caráter também a beneficia com a fila preferencial. Mas que seja, se o caixa atende, não é problema meu. A 129, essa sim, era.

Levantei e parei do lado da 129. Olhei nos olhos e "com lincença, boa tarde! Percebi que a senhora também ganhou uma senha, certo? Então, aquela senhora também me deu esta, a 111, só que se a gente usar essas senhas, nós estaremos furando fila, na frente de todas essas outras pessoas que chegaram antes de nós. E isso é feio, né? Eu não vou usar a minha, sugiro que a senhora faça o mesmo, mas vai da sua consciência!". Ela sorriu amarelo, sem graça, e eu me sentei. Quando chamaram o 115, a sujeitinha foi ao caixa. Olhei firme pra ela, que deu umas olhadas pra trás, meio incomodada, sabem? Quando ela passou por mim depois de ser atendida, mal conseguia desviar o olhar. Certeza que ela me ouviu dizer "bela consciência!". Fui atendida 12 minutos depois. E, sinceramente, espero que ela tenha perdido mais de 12 minutos pensando no que fez, mas meu pai jura que ela deve só ter rido por dentro e pensado "ha, ha, otária! Eu que sou espertona, lá lá lá".

Tá, caguei pra ela. Mas pra vocês, meus amigos, eu não cago. Então gostaria muito de saber: o que vocês fazem quando ganham uma senha de outro no banco?

Ah, só pra fechar. A ignorante passou na frente de uma moça visivelmente doente, que esperava a vez com sua filhinha, que estava impaciente perguntando "falta muito, mamãe?". Cortou meu coração.

6 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Eu não furo. Nem deixo furar. Quando meu avô estava doente, tinha-se que pegar fila pra entrar no hospital no horário de visita. Chegamos eu e meu pai, ficamos na fila. Uns 15 minutos depois, chegaram umas tias minhas (que eu amo). Foram falar conosco, dar boa tarde, rir um pouco e tal. Ok, aí meu pai olhou pra elas e disse: é melhor ir pra fila, senão vão demorar a entrar. Elas ficaram p da vida na hora. Hoje, já nos amam de novo, mas nunca deixam de reclamar.

Dona Lô disse...

Miloca: no meu serviço eles VENDEM senha prá visitar parente internado. Porra, fico puta, mas não discuto demais porque não sou a enfermeira do plantão, então não tenho que dar pitacos. E entendo que todos querem ver seu ente querido, pois esta pode ser a última vez. Mas no banco, já cansei de receber senhas antecipadas... Às vezes de office boys que não podem esperar. Aí até já aceitei. Mas porra, aqui tem comércio de senha no banco, uns velhinhos cara de pau que dão ou vendem senhas. Nunca compactuei com isto, e penso que você está muito certa em também não aceitar.
P.S.: este é mais um dos muitos commetns da madrugada. Repara não os erros!
Amo-te, amiga!

Carmen disse...

Menina, que loucura...eu não vou muito a bancos, por isso tô por fora desses disparates.Agora aqui pra nós, a humanidade tá cada vez mais medíocre né? Fora o que vejo de gente furando fila de ônibus (!), sentando em banco preferencial e NÃO levantando por consideração ou mesmo compaixão tb não tá no gibi.
Vc está certíssima Mila, fazendo a sua boa parte e nadando contra a maré.Boa caminhada a todos nós!

Junião disse...

Nossa, nunca "recebi" senhas extras. Engenhoso isso não? Impressionante como o ser humano busca métodos novos para práticas anti éticas!

Estava com saudades do blog!!!

Thata disse...

Ah, o mal do brasileiro... Querendo tirar vantagem e ser mais esperto que os outros.
Não gosto de ver gente tirando vantagem de situações cotidianas. E falo mesmo. Nunca vi ninguém passando senha, mas já briguei com gente que joga papel no chão. Se está de carro eu passo ao lado e grito: Parabéns, porco!!!

Lilás disse...

Tem certeza que a espertalhona pensa?